Em um dia normal, a mulata teria apenas esnobado o cara da moto e seguido o caminho como se não tivesse percebido a tentativa de abordagem dele. Foi até o que começou a fazer. Mas mudou de ideia rapidinho quando percebeu que havia concorrência na área.
A culpa foi da loira que estava na outra calçada e vestia uma calça jeans apertada. Se chamou a sua atenção, não seria diferente com o motoqueiro. Dito e feito. Ele nem ligou a seta. Cruzou entre os carros e se aproximou da margem oposta da rua.
A mulher observou a abordagem. "Foi mais incisiva do que comigo", ponderou. Mas se 'aquelazinha lá' tinha bunda, ela contava com outros fartos atributos.
Abstraiu o frio. Tirou o casaco grosso que a protegia da baixa temperatura. A comissão de frente ficou mais em evidência. Não adiantou nada. O pescoço do homem nem ameaçou fazer a esperada volta de 180 graus.
Tentou traçar uma outra estratégia. Precisava ser rápida. A branquela estava dando bola para ele. Chegaram a parar para conversar. Pensou o quanto a oxigenada era vulgar. Ia taxar a mulher de vagabunda quando percebeu que o mais importante era chamar a atenção dele.
Tirou a blusa. Ficou apenas com o top branco decotado que estava por baixo. Não havia sutiã entre a pele e a malha. A friagem ajudou a despertar o interesse de três ou quatro rapazes que estavam na frente de uma escola. Mas quem ela queria que olhasse parecia estar focado em outra presa.
Pensou em fingir uma crise de espirro, tropeçar e cair no chão fazendo muito barulho ou jogar uma pedra na oferecida olhando para o lado contrário (assim não se incriminava). Resolveu fazer diferente: atravessou a rua para passar bem perto dos dois.
Quanto mais próximo chegava, mais encarava o predador que virou presa. Ela tentava olhar olho no olho. Mas ele não colaborava. A uma distância de dois passos da dupla, começou a ouvir o que falavam.
"Depois do sinal, dobro à direita, sigo em frente uns 200 metros, passo pelo posto e caio à direita de novo?", perguntou o motoqueiro
"Isso! Aí já vai estar bem perto da padaria onde você quer chegar", a mulher respondeu.
Ao ouvir o papo, a morena ficou constrangida. Com pressa, vestiu a blusa do lado avesso e apertou o passo. O homem agradeceu à outra mulher pela informação e seguiu viagem. Quando passou pela mulata, puxou conversa. Agora sim era uma cantada! Só que ela preferiu esnobar o cara da moto e seguir o seu caminho como se não tivesse percebido a tentativa de abordagem dele.

Muito bom. Surpreende!!!
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